O Museu Marítimo de Ílhavo celebrou 89 anos de existência
As comemorações destas quase nove décadas de existência, iniciaram-se, na sexta-feira, dia 7 de agosto, com a inauguração da exposição “A arte que veio pelo Mar”, patente no Centro de Religiosidade Marítima até 31 de dezembro. Uma exposição que pretende identificar na arte indo-europeia na região índico-asiática (Índia, China e Japão) a iconografia de representação católica que serviu o propósito da missionação. As representações Marianas, do Salvator Mundi, do Menino Jesus Bom Pastor, de Crucifixos, em marfim, e diversas porcelanas provenientes de coleções particulares e de Museus Nacionais procurarão ilustrar a miscigenação artística que a descoberta do caminho marítimo para a Índia possibilitou.
Ao final do dia de ontem, data em que se assinalam os 89 anos de existência do Museu Marítimo de Ílhavo, o destaque da programação festiva realça a apresentação do livro “A Pesca do Bacalhau na Gronelândia: um território por explorar”, da autoria do historiador do CIEMar / Município de Ílhavo, Jorge Branco, e a exibição do filme “Pescadores portugueses na Gronelândia”, material descoberto e digitalizado no Arquivo do Instituto de Cinema da Dinamarca pela mão da portuguesa Sara Valle Rocha, especialista em artes visuais, cinematográficas e multimédia, técnica do Danish Film Institute (Copenhaga – Dinamarca).
O livro é o resultado de um trabalho de investigação desenvolvido ao longo dos últimos anos no qual é abordada a atividade da frota portuguesa na costa ocidental da Gronelândia, iniciada na década de 1930, uma área da história da identidade marítima ilhavense - a Pesca do Bacalhau - pouco analisada.
O filme, encontrado e digitalizado no Instituto do Cinema da Dinamarca, é material histórico, original e o espelho do que eram os desafios com que se deparavam os pescadores, nos navios ou nos dóris, da pesca do bacalhau nos mares gelados do norte (Terra Nova / Canadá ou Gronelândia). É um filme realizado pelo biólogo marinho e realizador amador Paul M. Hansen, em 1954, com a duração de 23 minutos, sem som, a bordo do navio-motor Capitão João Vilarinho. Um inquestionável património material que preserva um outro património - o imaterial - identitário de uma das várias faces da pesca do bacalhau. E uma imensurável homenagem aos heroicos pescadores portugueses nos mares do Ártico.
Tendo atingido, em janeiro deste ano, cerca de 1,5 milhões de visitas, contando já, no primeiro semestre, com mais de 45 mil visitantes, ao fim de quase nove décadas de existência, o Museu Marítimo de Ílhavo afirma-se como uma das mais emblemáticas instituições do município e uma referência nacional na preservação da memória do trabalho no mar e na valorização da identidade marítima portuguesa, salvaguardando património ligado à pesca do bacalhau, à construção naval, à Ria de Aveiro e às comunidades que fizeram do mar o seu modo de vida.
Mais do que um espaço museológico da Câmara Municipal de Ílhavo, o Museu Marítimo é um verdadeiro guardião da identidade da história e das gentes do município.
