Ílhavo: a Capital Portuguesa do Bacalhau liga novidade à tradição no Festival do Bacalhau de 2026
Falta menos de um mês para que o Município de Ílhavo abra as portas de um dos maiores festivais gastronómicos do país: o Festival do Bacalhau, que se realizará entre os dias 12 e 16 de agosto, no Jardim Oudinot, na Gafanha da Nazaré.
Uma organização do Município de Ílhavo, em parceria com a Confraria Gastronómica do Bacalhau, com um investimento na ordem dos 490 mil euros e com a particularidade de ser o único evento gastronómico no país que é exclusivamente planeado e executado pela estrutura orgânica da Câmara Municipal, o Festival do Bacalhau mantém uma dimensão nacional que permite projetar não só a gastronomia associada à Faina Maior - o bacalhau - mas também a identidade de um território e das suas gentes, moldada em múltiplas facetas: social, económica, cultural e patrimonial.
Esta é, por isso, uma celebração do sentimento de pertença, de comunidade, de vivências socioeconómicas e de uma expressiva identidade marítima que afirmam o Município de Ílhavo como a Capital Portuguesa do Bacalhau.
Após 16 edições, a inovação disruptiva de uma nova imagem
Longe vão os tempos das “Tasquinhas do Bacalhau” no centro da cidade de Ílhavo e é também já distante o ano de 2008 que marca o atual formato do Festival do Bacalhau.
A edição de 2026 deixa a referência visual explicita ao bacalhau, para apresentar uma nova identidade gráfica, concebida sem perder a ligação às suas raízes e com o objetivo de espelhar outras realidades deste património.
Esta nova imagem mantém a relação com o mar e a pesca do bacalhau (Faina Maior), mas exibe outra faceta da identidade ilhavense: a par dos que desafiaram o destino nos mares do Norte, a realidade dos que ficaram, nomeadamente as mulheres que com a ansiedade e a incerteza do amanhã, moldaram as suas vidas e as da comunidade onde se inseriam.
Esta nova identidade gráfica do Festival do Bacalhau tem dois focos distintos: o nó, característico da pesca do bacalhau, é fio condutor, tanto por ser um elemento que acompanhava as jornadas de trabalho dos que pescavam bacalhau e passavam longos períodos longe de casa. Mas também as vestes das mulheres das secas do bacalhau, em que cada padrão das suas roupas possibilitava a identificação da tarefa ou da etapa de seca de cada uma, desde a lavagem ao embalamento. Enquanto os homens trabalhavam na dureza da própria natureza do seu trabalho e na distância das campanhas dos lugres e dos arrastões, as mulheres eram as que ficavam, cuidavam e garantiam não só a seca do bacalhau, mas o regresso à certeza de uma casa. O nó é, ainda, um elemento que representa união e identidade, num festival que celebra o sentido de comunidade e de pertença.
Outros destaques do Festival do Bacalhau 2026
Três novidades que temperam a edição deste ano do Festival do Bacalhau.
Primeiro, um novo stand na tenda principal que traduz a identidade marítima que caracteriza o território e as gentes do Município de Ílhavo.
Segunda novidade: a curadoria gastronómica do chef Hélio Loureiro, uma das mais reconhecidas figuras da gastronomia portuguesa e profundo conhecedor da cozinha tradicional, em particular do bacalhau. É o reforço da componente gastronómica do Festival, valorizando o bacalhau enquanto produto de excelência.
Esta colaboração representa o início de uma estratégia do Executivo Municipal para elevar a fasquia do Festival do Bacalhau, promovendo uma abordagem mais criativa na confeção do bacalhau e incentivando as associações participantes a desenvolverem propostas gastronómicas diferenciadoras e que surpreendam quem visita o evento.
A curadoria do chef Hélio Loureiro contempla o acompanhamento e aconselhamento gastronómico das associações responsáveis pelos restaurantes do festival, contribuindo para a valorização das ementas, da apresentação dos pratos e da utilização de técnicas culinárias.
Por último, o município convidado, que traz tanto de diferenciador como de disruptivo. A Câmara Municipal de Ílhavo convidou o Município de Miranda do Douro para a edição deste ano do Festival do Bacalhau.
À pergunta óbvia sobre o porquê de um território do interior raiano português ser convidado para o Festival, a resposta é simples. O Município de Miranda do Douro tem realizado um interessante trabalho de promoção da gastronomia relacionada com o Bacalhau, nomeadamente junto dos vizinhos espanhóis muito apreciadores deste pescado, e que é adicionado aos seus sabores tradicionais como o cordeiro e a vitela mirandesa.
Um trabalho que já leva vários anos, principalmente através do anual evento gastronómico “Semana Gastronómica do Bacalhau & Sabores da Terra de Miranda” que é realizado no mês de maio. Foi, aliás, neste evento que a ilhavense Confraria do Bacalhau apresentou, em 2007, uma proposta gastronómica arrojada: a confeção do Bacalhau à Mirandesa.
Mais que justificada a presença de Miranda do Douro que esperamos pode ser acompanhada pelos famosos Pauliteiros ou pelas famosas Pauliteiras.
Um festival gastronómico… mas não só.
O “fiel amigo” é, durante estes cinco dias, o rei do evento. Símbolo da epopeia marítima da pesca do bacalhau nos mares gelados do norte, da afirmação económica e social de um território e das suas gentes, do desenvolvimento da indústria naval e do setor pesqueiro, é o principal motivo que leva milhares de pessoas, de vários pontos cardeais, até ao Jardim Oudinot, na cidade da Gafanha da Nazaré, para saborearem as propostas gastronómicas que 10 associações do Município têm para colocar na mesa. Acompanhadas por mais duas associações que apresentam outra identidade gastronómica particular do Município: o Pão de Vale de Ílhavo, localidade que integra a rede de Aldeias de Portugal. Às quais ainda se adicionam mais duas associações responsáveis por assegurarem dois bares de apoio ao evento.
Mas há muito mais do que os sabores e aromas do bacalhau ou o cheiro peculiar do forno a lenha.
O Festival do Bacalhau tem um leque bem intenso e diversificado de outras propostas: atividades lúdicas e desportivas para desfrutar em família, cultura, showcookings, mostra de artesanato com alguns artesãos a trabalharem ao vivo, e muita música. O Jardim Oudinot acolhe o “Forte das Brincadeiras”; o Navio-Museu Santo André tem visitas especiais, várias exposições temáticas, o espetáculo infantil “O pai que se tornou mãe” de Pedro Giestas e o lançamento do livro “Uma Aventura… em busca do navio fantasma”, que conta com a presença das autoras Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada; a tenda principal vai estar repleta de artes(anato) e de chefs que proporcionam ‘101 maneiras’ de confecionar bacalhau; parte do Canal de Mira, da Ria de Aveiro, vai abraçar mais uma divertida e épica edição da “Corrida Mais Louca da Ria”; e a histórica e identitária “Volta ao Cais em Pasteleira” revisita as tradições da comunidade, ligando o Cais dos Bacalhoeiros ao Cais do Oudinot.
Mas se o Bacalhau ‘teima’ em ser cabeça de cartaz do (seu) Festival, a música vai dividir, com ele, as honras da casa. Dois palcos marcam a programação musical do Festival do Bacalhau. No palco principal – Palco Estibordo - em cada um dos cinco dias vão atuar Quim Barreiros (12 de agosto) e, estreantes no evento, Carolina Deslandes (13 de agosto), Gabriel o Pensador (14 de agosto), Delfins (15 de agosto) e Ricardo Ribeiro (16 de agosto). São escolhas que reforçam a diversidade musical e procuram alargar o público do evento.
Além disso, cada dia encerra portas no palco secundário - Palco Bombordo - com as participações de artistas locais ou da região: DJ Karlus, DJ Xirk, Luana Torrão, Bruno Pato, Dopamine.
