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Feriado Municipal de Ílhavo - Discurso do Presidente da Câmara, Rui Dias
Sejam todos bem-vindos a esta vossa casa.
Celebramos hoje o Feriado Municipal de Ílhavo com um profundo sentido de missão, de responsabilidade, de serviço público, e, sobretudo, de compromisso com a construção de um futuro maior para o nosso Município.
Fazemo-lo num momento de particular exigência. No quadro de cenários externos muito adversos, mas também conscientes das oportunidades que impactam com a missão que os ilhavenses nos conferiram em outubro de 2025.
Um momento de transformar dificuldade em oportunidades e em que somos chamados a afirmar, com clareza, aquilo que queremos para o Município de Ílhavo: um território desenvolvido, coeso, justo e preparado para os exigentes desafios do nosso tempo.
Assumimos funções há poucos meses, sem maioria absoluta, num contexto que nos convoca a todos para um diálogo permanente, uma especial capacidade de negociação, sentido de responsabilidade e ética política e democrática.
Porque não temos quaisquer dúvidas ou hesitações quanto ao essencial do que significa a gestão autárquica e a nossa missão aqui: governar é servir.
Servir as pessoas, empresas, clubes e associações. Os seus sonhos, desejos e inquietações.
É honrar os compromissos assumidos e colocar o interesse do Município e dos nossos munícipes acima de qualquer divergência política, de qualquer interesse partidário, sem abdicarmos, obviamente, da nossa estratégia, da nossa visão e do modelo de governo que submetemos ao escrutínio dos ilhavenses.
E é isso que temos feito nestes primeiros cinco meses de governação autárquica.
Com responsabilidade e determinação, com dedicação e empenho, com trabalho sério e sentido ético de missão.
Nos primeiros 100 dias de mandato, demos passos concretos e claros. Honramos a palavra dada e prestamos contas. Iniciámos um novo ciclo de governação mais organizado, transparente e mais próximo. Quer dos cidadãos, quer das instituições, quer de todos os que integram a nossa estrutura municipal.
Criámos instrumentos de monitorização e acompanhamento das políticas públicas. Reforçámos a proximidade com as Freguesias, com as famílias, com as associações, com as escolas e com as empresas.
Lançámos programas que colocam as pessoas no centro da ação municipal:
- o apoio às famílias, às crianças e aos mais vulneráveis;
- o aumento das respostas da ação social escolar,
- a valorização da nossa identidade e sentido de pertença coletiva e territorial;
- a promoção da saúde e do bem-estar;
- o incentivo ao voluntariado;
- o reforço da qualidade de vida das pessoas e dos espaços públicos do nosso território;
- a aposta nas potencialidades, geradoras de atratividade turística, da nossa Ria, do nosso Mar e do nosso Património histórico, gastronómico e cultural;
- a intensificação do trabalho para que possamos honrar os compromissos anteriormente estabelecidos, nomeadamente com os investimentos dos Quadros Comunitários e do PRR, mesmo sabendo que a realidade herdada nos coloca numa posição de especial pressão e acrescida responsabilidade.
De todos estes contextos, destacamos, acima de tudo, a afirmação de duas prioridades claras que assumimos objetivamente desde a nossa primeira hora aqui:
Por um lado, a de assegurar a proximidade com os nossos cidadãos, o tecido empresarial e associativo
de que é bom exemplo a nossa aplicação Bussola, uma ferramenta moderna, de uso simples e intuitivo que agiliza e acelera a relação entre a Administração e os administrados.
E, por outro, definir e materializar o ano de 2026 como o Ano Municipal da Educação.
E porquê?
Porque acreditamos que é na educação, num sentido lato e abrangente, que ultrapassa as fronteiras do ensino cognitivo, que se constrói o futuro, que se capacitam as gerações para os complexos desafios do futuro, que fortalecemos o sentido crítico, a participação e a cidadania.
Queremos afirmar Ílhavo como um verdadeiro território educador, inclusivo e mais justo. Um Município onde a escola e o conhecimento se articulem com a cultura, a ciência, a economia, o desporto ou a arte.
Um Município que investe na qualificação, na inovação e no conhecimento. Para que cada um encontre na educação o verdadeiro motor do seu elevador social. Para que ninguém com inteligência, talento e capacidades deixe de ter oportunidade de percorrer um caminho de sucesso apenas por razões materiais ou por ter nascido do lado errado da vida.
Nesse sentido, estamos a reforçar a ligação institucional à nossa Universidade de Aveiro e a consolidar parcerias com a Fábrica Centro Ciência Viva e com o Parque da Ciência e Inovação, aprofundando projetos conjuntos, nomeadamente na área do ensino STEAM, criando novas oportunidades de aprendizagem, de experimentação e de contacto com a ciência desde os primeiros anos de escolaridade, preparando as nossas crianças e jovens para os desafios tecnológicos e digitais do futuro.
Desafios materializados, entre o mais, na Zona Livre Tecnológica, dedicada à experimentação e ao teste, em ambiente operacional, de tecnologias e sistemas de comunicação e de eletrónica, que se assume, também ela, como essencial para a atração e retenção de talento para a região de Aveiro.
Não é, por isso, por acaso, que neste mês de abril dedicamos especial atenção à participação, ao exercício cívico e à cidadania como alicerces para a afirmação e consolidação desse futuro.
Não apenas o futuro individual de cada uma das nossas crianças e jovens, mas um futuro coletivo que impacte com o desenvolvimento e crescimento do Município.
Com efeito, neste nosso Ano Municipal da Educação, o mês de abril é dedicado à cidadania. E não poderia haver escolha temporal mais simbólica porque educar é também formar cidadãos livres, conscientes, participativos e responsáveis.
E essa dimensão da cidadania ganha um significado ainda mais profundo quando, com todo o simbolismo de Abril, assinalamos este mês os 50 anos da aprovação e entrada em vigor da Constituição da República Portuguesa.
A Constituição é o garante dos nossos direitos, das nossas liberdades e o alicerce da nossa democracia, desenhado pelos nossos primeiros Constituintes como um projeto moderno, plural e representativo de uma sociedade inclusiva. Por isso é que a nossa Constituição é única, porque é coletiva, democrática e socialmente estruturada.
Mas realizar os valores constitucionais é também um compromisso permanente. Um compromisso que exige resiliência, perseverança, vigilância e participação ativa de todos.
Hoje, mais do que nunca, somos chamados a defender os valores que ela consagra: a liberdade, a igualdade, a inclusão, a solidariedade e a justiça social.
E é também nesse mesmo espírito que devemos olhar para os 50 anos do Poder Local Democrático, um dos pilares fundamentais da nossa organização política e territorial.
Um poder de proximidade, que conhece as pessoas, que responde às suas necessidades e que constrói soluções participadas com as comunidades. É esta proximidade que queremos continuar a concretizar e a reforçar em Ílhavo.
Mas sabemos que os desafios do presente exigem também uma visão mais alargada. Nenhum município se desenvolve isoladamente, já não há barreiras geográficas ou limitações territoriais que confinem a governação local e a gestão autárquica aos contornos municipais.
Hoje, o mundo globalizado, transnacional, é, também, global ao nível local e regional. Entendemos que é, por isso, fundamental aprofundar estratégias coletivas no âmbito da Região de Aveiro.
Seja no âmbito dos 11 municípios que integram a nossa Comunidade Intermunicipal, seja nas relações bilaterais nomeadamente com os nossos vizinhos mais próximos, a cooperação intermunicipal é essencial para o desenvolvimento de áreas como a mobilidade e a acessibilidade, o ambiente e as alterações climáticas, a educação ou a saúde.
E é igualmente determinante para potenciar o papel estratégico que reconhecemos ao Porto de Aveiro como um motor de referência no desenvolvimento económico, não apenas do nosso Município, mas de toda a região e do país.
Temos a perfeita noção da relevância estratégica que assumem no ecossistema da economia regional e nacional alguns dos mais relevantes players do Porto de Aveiro e da conveniência de abrir a estrutura física da nossa Barra a novos patamares da sua operação que a coloquem em condições de competir ao mesmo nível com os principais portos na Europa e no mundo.
Assim como sabemos da importância de analisar com especial cuidado os impactos dessa obra sobre as dinâmicas dos fluxos de água na Ria de Aveiro e da gestão das nossas águas pluviais.
O que nos convocará, certamente, para um novo patamar de diálogo informado, de discussão esclarecida, de alinhamento de posições tendo em vista a afirmação, mas também a harmonização de todos os interesses que a ambos cumpre acautelar.
É certamente esse o caminho que percorreremos juntos, conscientes, ambos, da importância dos valores que cada um de nós deve realizar.
Temos, em suma - e estamos seriamente comprometidos com esse o propósito - de saber trabalhar em rede, de criar sinergias e de concretizar projetos comuns com agentes e parceiros de referência na Região – o Porto de Aveiro, a Universidade, o PCI, o ECOMARE, o Turismo do Centro e o nosso importante Tecido Empresarial - para afirmar o nosso território, torná-lo atrativo e referencial num contexto local, regional e nacional cada vez mais competitivo e exigente.
Herdámos desafios exigentes, nomeadamente no cumprimento dos parâmetros associados ao Plano de Recuperação e Resiliência. Prazos apertados, processos complexos, debilidades nos planeamentos e nos projetos, atrasos na execução, várias frentes de obra e projetos que exigem capacidade técnica e enorme esforço de execução física e financeira, alguns dos quais ultrapassam as reais e concretas capacidades municipais.
Mas assumimos um compromisso claro, bem presente na Carta de Navegação que agregámos ao nosso sentido de serviço público e não viramos a cara às dificuldades.
Sabemos que o mar calmo não faz bons marinheiros.
Cumpriremos com responsabilidade e ética, com rigor e transparência, com visão, espírito de missão e de serviço público tudo aquilo a que nos propusemos.
Honraremos os compromissos da autarquia e a palavra dada aos ilhavenses e o pacto que firmamos com todos eles.
É isso que estamos a fazer. Com trabalho, empenho, dedicação, com seriedade e com sentido de dever.
E com uma equipa de 600 colegas discretos, leais, competentes e comprometidos com o sucesso de todos nós enquanto Município. A quem devemos também um testemunho e gratidão que aqui lhes entrego, num abraço ao CCD.
Minhas Senhoras e Meus Senhores,
Este dia é também, e sobretudo, um dia de festa. Um momento para testemunharmos o nosso reconhecimento e gratidão aos melhores de nós, àqueles que - como disse Camões -, “por atos valerosos se vão da lei da morte libertando”.
Justo reconhecimento que hoje prestamos aos nossos colegas aposentados - Noémia Maia, José Manuel Rocha, Horácio Labrincha, José Augusto São Marcos - pelo seu percurso, pela sua dedicação e pelo contributo que, nesta casa, deram, ao longo de décadas, para o desenvolvimento do nosso Município e o serviço aos nossos munícipes.
Em nome dos ilhavenses e da vossa Câmara Municipal muito obrigado a todos.
Reconhecimento também aos homenageados de hoje, cujo mérito, qualidades e virtudes, nas mais diversas áreas, prestigiam o Município de Ílhavo e inspiram a nossa comunidade.
Permitam-me destacar, de forma muito especial:
- O eng. Mário Campolargo, pela sua carreira internacional de excelência ao serviço da inovação, da tecnologia e da causa pública;
- O dr. Eduardo Feio, pelo seu contributo para a Economia do Mar e da Mobilidade e para a afirmação do Porto de Aveiro para o desenvolvimento regional;
- O Professor Manuel João Matias, pelo seu percurso académico e científico de referência, e pela sua dedicação à causa publica e à formação de jovens desportistas;
- A Inês Filipe, jovem talento da nossa terra que, ainda jovem, tem levado o nome de Ílhavo além-fronteiras através da música em exercícios de excelência que nos dignificam a todos.
Saudamos também as instituições homenageadas, com destaque para os nossos três Agrupamentos de Escolas, verdadeiros pilares da educação no Município, e para o movimento associativo, no caso muito particular para o nosso Centro Cultural e Desportivo dos Trabalhadores do Município de Ílhavo que tanto contribui para a coesão laboral e para uma identidade própria que se vivencia na estrutura orgânica municipal. Curiosamente, num momento em que, a 16 de maio, a par da Constituição e do Poder Local, celebrará também ele 50 anos.
A todos, o nosso profundo agradecimento por tudo - que é muito e elevado - o que trouxeram ao Município de Ílhavo, aos ilhavenses e à nossa Região.
Somos e seremos sempre penhoradamente gratos. Muito obrigado a todos.
Caras e Caros Ilhavenses, a manhã vai longa e não quero abusar da vossa condescendência. Há que concluir.
O caminho que temos pela frente não é fácil. Mas é claro.
Queremos liderar um Município que valoriza as pessoas, que aposta no conhecimento e na educação, no valor da cidadania e na importância social do associativismo, que cuida do seu território focado nas pessoas. De forma estruturada, sustentável, consistente e sem pressa.
Acima de tudo com decisões informadas, apesar das impaciências. Um Município que honra a sua identidade e que se projeta com ambição no futuro numa lógica de partilha leal e transparente, exigente e ambiciosa, com os Municípios da Região de Aveiro, o nosso Porto, a nossa Universidade, as nossas escolas, empresas, clubes e associações.
O futuro de Ílhavo será construído com todos e, sobretudo, com cada um dos ilhavenses. De forma leal, transparente, exigente e ambiciosa.
Um Município feito por todos e para todos.
Viva S. Salvador, vivam as Gafanhas da Nazaré, da Encarnação e do Carmo.
Viva o Município de Ílhavo.
Muito obrigado!
Rui Dias
Presidente da Câmara Municipal de Ílhavo
6 de abril de 2026
