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C.M. Ílhavo - Voltar ao início
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Estaleiros Mónica

N/m “Novos Mares” para a pesca do bacalhau, 1957-01-09

CÓDIGO DE REFERÊNCIA

PT/CDI/EM

 

TÍTULO

Estaleiros Mónica

 

DATAS

1922/07/02 - 1981/01/26

 

NÍVEL DE DESCRIÇÃO

Fundo/Arquivo

 

DIMENSÃO

52,75 ml.

 

SUPORTE

Papel

 

PRODUTOR

Estaleiros Mónica

 

HISTÓRIA ADMINISTRATIVA

Os Estaleiros Mónica foram fundados em 1887 e tinham a sua sede em Ílhavo. Em 1889, José Maria Bolais Mónica, dono dos estaleiros e grande construtor naval, transferiu os estaleiros navais de Ílhavo para a Gafanha da Nazaré.
A unidade industrial Estaleiros Mónica terá sido a primeira indústria de vulto a implantar-se na Gafanha da Nazaré, e a grande impulsionadora do desenvolvimento da economia marítima da região.
Entre 1889 e 1911, os Estaleiros Mónica eram indicados como a única instalação a exercer construção de embarcações de porte pesado, vocacionadas para o alto mar. Em 1911, José Mónica desloca a sua atividade para a Figueira da Foz, sendo o responsável pela construção daquele que seria considerado o melhor navio bacalhoeiro da Figueira, o lugre Golfinho. O retorno desta atividade de construção de navios em madeira no Estaleiro da Gafanha da Nazaré, acontece pela mão de Manuel Maria Bolais Mónica, em 1916.
Os Estaleiros Mónica trabalharam com inúmeras empresas de armadores, como por exemplo a empresa Cunha e C.ª, Boa Esperança, Testa & Cunhas, Companhia Aveirense de Navegação e Pesca, Santos Moreira & C.ª, entre outras.
Em 1920, a empresa de construção naval é transformada em sociedade por quotas e mais tarde, a 8 de abril de 1921, Manuel Mónica constitui a sociedade Mónica & Companhia, Lda. Cerca de um ano mais tarde, Manuel Maria Bolais Mónica inicia o processo de dissolução da firma. Já em 1926, a firma Mónica & Companhia adquire o equipamento necessário para estabelecer uma pequena serração e uma moagem junto ao estaleiro.
Com o objetivo do Estado Novo de incrementar e modernizar a frota bacalhoeira portuguesa, é entregue aos estaleiros da firma Mónica e Companhia, Lda., em 1936, o projeto de construção de um lugre em madeira, o ‘Brites’.
O período entre 1939 e 1945 vai marcar os tempos áureos dos Estaleiros Mónica em tempos de guerra. O clima de guerra não impediu a laboração dos estaleiros, pelo contrário, aumentou o progresso industrial da empresa e o número de construções efetuadas. Os estaleiros tinham então em mãos a construção de três draga-minas para a marinha inglesa. Para território português, Manuel Mónica abraçou dois projetos de considerável envergadura, o projeto da ‘Nau Portugal’ e do ‘Marianela’. O primeiro projeto dava ao mestre português, na arte das construções navais em madeira, a oportunidade de testar a sua capacidade técnica e conhecimento da arte da construção naval em madeira, segundo os processos artesanais. Mas, sem motivo aparente, aquando do bota-abaixo da ‘Nau Portugal’, esta naufraga. O segundo projeto conferiu aos estaleiros a construção do maior cargueiro em madeira, até então construído em Portugal, destinado à cabotagem de longo curso.
Os estaleiros de Manuel Mónica fizeram uma incursão pela construção naval metálica. Em agosto de 1943 e, ao abrigo do Condicionamento Industrial, Manuel Mónica viria a formalizar o seu pedido de autorização para executar trabalhos metálicos nos seus estaleiros de construção naval em madeira.
No período que compreende os anos de 1937 a 1945, Manuel Mónica aposta na modernização da sua empresa. É também por esta altura, 1943, que os estaleiros entram na laboração de embarcações do tipo ‘CRCB’. Nascem então as construções caracteristicamente portuguesas e destinadas à pesca à linha.
Os Estaleiros Mónica foram aqueles que mais navios em madeira forneceram à frota bacalhoeira nacional, no âmbito dos programas de renovação da frota, conduzidos pela política do Estado Novo. Na 2.ª metade do século XX, assiste-se a um domínio, por parte dos estaleiros, na construção de embarcações em madeira. Mas, em 1953, a atividade da empresa reduz-se a reparações e construções de embarcações de pequena tonelagem e, assiste-se a uma escassez na atividade da empresa. No mesmo ano, é lançado à água o último navio tipo lugre-motor bacalhoeiro construído por Manuel Mónica.
Em 1956, é constituída a sociedade Manuel Maria Bolais Mónica & Filhos, Lda., com domicílio no lugar da Cale de Vila. Dois anos mais tarde, desce das carreiras do estaleiro um exemplar dos navios-motor construído por Manuel Mónica, um misto de madeira e ferro.
Em 1959, com a morte de Manuel Mónica, são redistribuídos os cargos dentro da sociedade Manuel Maria Bolais Mónica & Filhos, Lda. São também definidos princípios de colaboração entre os Estaleiros Mónica e os estaleiros de São Jacinto. O ano de 1961, foi o primeiro em que a firma apresentou um saldo negativo no final do exercício. Em janeiro de 1962, a empresa encontrava-se numa crise muito grave e na eminência de cessar atividade. No final dos anos 60, assiste-se à degradação das instalações e ao desleixo na sua manutenção.
A 27 de dezembro de 1977, os Estaleiros de São Jacinto, SARL, e os Estaleiros Navais – Manuel Maria Bolais Mónica, SARL, em conjunto com alguns armadores de pesca do bacalhau, fundam a empresa Navalria – Docas, Construções e Reparações Navais, SARL, para exploração do estaleiro naval JAPA e da doca flutuante. No ano de 1978, os Estaleiros de S. Jacinto, SARL, mostram intenção de tomar posse de todas as ações dos Estaleiros Navais – Manuel Maria Bolais Mónica, SARL.
No dia 7 de outubro de 1981, é ditado o fim dos Estaleiros Navais – Manuel Maria Bolais Mónica, SARL, ficando decidida a fusão, absorção ou anexação dos Estaleiros.

CONDIÇÕES DE ACESSO

O acesso a estes documentos rege-se pelo regulamento arquivístico em vigor.

 

INSTRUMENTOS DE DESCRIÇÃO

Guia; recenseamento

 

DATA DE DESCRIÇÃO

2013

 

HISTÓRIA CUSTODIAL E ARQUIVÍSTICA

Desconhecida

 

FONTE IMEDIATA DE AQUISIÇÃO OU TRANSFERÊNCIA

Desconhecida.

 

ÂMBITO E CONTEÚDO

O arquivo é constituído por documentos de contabilidade, correspondência e planos de embarcações.

SISTEMA DE ORGANIZAÇÃO

Documentação organizada por número de referência atribuído aquando da realização do recenseamento.

 

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