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C.M. Ílhavo - Voltar ao início
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Cultura e Criatividade

O Município de Ílhavo, à beira-mar plantado, envolvido pela Ria de Aveiro, tem na Vida da sua Gente, histórias que convidam à partilha de momentos bons, diferentes e únicos.

 

História, Festas e Romarias, Artesanato, Património, Gastronomia, Sol e Mar, Tempos Livres, são notas de partilha de rotas que pode encontrar e desfrutar nesta terra que tem “O Mar por Tradição”, peça especial da sua história e da sua condição natural, que a tornam a Capital Portuguesa do Bacalhau. Aqui a Terra e o Mar encontram-se a cada canto.

 

Nos dois Canais da Ria de Aveiro que atravessam o Município (o Canal de Mira e o Canal de Ílhavo ou Rio Bôco), as atividades náuticas, a pesca, a observação das aves e de outros valores naturais, propiciam momentos únicos.

 

Nos areais das Praias da Barra e da Costa Nova, o Mar junta-se à terra de forma única e bela, sendo pretexto de múltiplos usos, sempre sob a luz, a cor e a referência do Farol da Barra e dos Palheiros da Costa Nova.

 

O Museu Marítimo de Ílhavo partilha a história épica da Pesca do Bacalhau à linha e o seu Navio-Museu Santo André conta a vida do arrasto. 

 

A Cultura vive-se com intensidade do 23 Milhas, nos seus diversos espaços, como a Casa da Cultura Ílhavo, a Fábrica das Ideias Gafanha da Nazaré, o Laboratório das Artes Teatro Vista Alegre ou Cais Criativo Costa Nova .

 

As descobertas ao seu dispor são muitas e diversas.

 

Bem-vindo ao Município que tem uma Costa Nova e uma Vista Alegre.

 

“Tempore illo…”

 

Ílhavo tem raízes bem remotas, como atesta o Prof. Saul Gomes na introdução histórica do fac-símile Foral Manuelino. “Documentos de há mil anos atrás chamam-lhe “Illavum”, “Illiavo” e “Illiabum”. (…) Ílhavo significaria, primitivamente, a ilha do rio ou uma das ilhas que certamente pontilhavam a costa norte-atlântica do futuro reino de Portugal.
 

Quer seja, quer não, ilha ou terra firme, a verdade é que Ílhavo, na sua composição onomástica não pode deixar de evocar a memória íntima do profundo mar oceano que a banha e as generosas veigas, ervedais e matas do rio Vouga que a fecunda, razões suficientes para motivarem a fixação no seu território senhores cobiçosos de riquezas e de boas caçadas e pescarias, como de gente laboriosa, pescadores de Estio e lavradores de invernias. (…)


(…) os moradores de Ílhavo conciliavam uma vida de marítimos — a inquirição de 1296 alude, para a região, à pesca com malhas de golfinho e de solho, bem como à importante produção de sal e aos salvados de batel ou de navio, metade para quem os achasse e outra metade para o rei — com o amanho dos agros, salientando-se nestes produção de milho, de centeio e de trigo, bem como de favas, assinalando-se também a produção do vinho e do linho (bragal). A estes produtos agrícolas juntava-se a pecuária assinalando-se a criação de gado ovino e porcino, para além dos animais de capoeira.


(…)
Ílhavo comungará do crescimento que o litoral português conheceu no final da Idade Média. A importância que então ganharam as actividades marítimas provocou a afirmação de novos centros urbanos portuários litorâneos. Aveiro capitalizará o maior desenvolvimento nesta região, mau grado a evolução morfológica da sua barra. Com Aveiro cresceram também os concelhos envolventes. Ílhavo não foi excepção.

(...)

Que Ílhavo crescera em peso demográfico e em significado económico torna-se bastante claro pelo próprio facto de ter merecido carta de foral em 1514.Conhecemos aliás, sensivelmente para esse período, o número de moradores na vila e no termo. Referimo-nos ao censo populacional de 1537, o qual indica que Ílhavo, mantendo-se na posse de António Borges, contava então 50 vizinhos no corpo da vila, ou seja, cerca de 200 habitantes. Do seu termo faziam parte os lugares de Azenhas do Vale de Ílhavo, pertença de Sebastião Rodrigues, com nove fogos ou uns 36 moradores, a aldeia do Alqueidão, com 19 vizinhos e cerca de 76 almas, a aldeia de Vila de Milho, com a azenha de António Borges e a da “Pouca Roupa”, com 23 vizinhos ou cerca de 92 moradores e, finalmente, a aldeia de Sá, com 37 fogos e uns 138 habitantes. No todo, o concelho rondaria, nesse ano de 1537, uns 542 habitantes.
 

Ílhavo tinha um território concelhio pequeno, herança da geografia inicial medieva, ombreando, como vimos, com outros municípios vizinhos que com ele partilhavam idêntica cartografia territorial e fronteiriça. Terminaria o escrivão Jorge Fernandes, aliás, a sua relação acerca de Ílhavo recordando justamente o modesto aro do termo ilhavense: “Esta villa d’Ilhavo tem de termo pêra a parte d’Aveiro meã legoa, e pêra vila de Coza tem mealegoa, e pêra a Irmida tem hum quarto de lego. Parte com as vilas da Irmida e Coza e Aveiro." (…)

 

Em 1801, Ílhavo possuía 1796 fogos e 5314 almas. Era uma das vilas e freguesias da Comarca de Aveiro mais povoadas ao tempo. (…)


No Diccionario Geographico, do flaviense Francisco dos Prazeres Maranhão, editado em 1852, Ílhavo é descrita como vila com 1601 fogos, ou seja, com um pouco mais de 6000 residentes, “pela maior parte pescadores”. O percurso histórico de Ílhavo, em Oitocentos, acabaria por confirmar a sua vocação de terra polarizadora dotada de elevado sentimento identitário local e regional. Esse terá sido um factor relevante na alteração do decreto de 21 de Novembro de 1895, que dissolveu o concelho ilhavense para o integrar em Aveiro, situação que durou apenas três anos, uma vez que em 13 de Janeiro de 1898, Ílhavo foi restabelecido nos seus direitos e privilégios municipais.


Quase um século mais tarde, em 13 de Julho de 1990, a vila de Ílhavo foi elevada ao estatuto de cidade, contando actualmente com as freguesias de S. Salvador, Gafanha da Nazaré, Gafanha da Encarnação e Gafanha do Carmo. A reduzida dimensão do seu território, herdada, como vimos, de um distante passado medieval e fundacional da povoação, não obsta a que nele se localizem, nos nossos dias, algumas das mais renomadas indústrias, mantendo, contudo, a fidelidade à vida marítima, especialmente à pesca do bacalhau, para além da relevância das suas condições naturais e das suas praias, nas quais se tece o encontro harmonioso dos confins da velha Europa com o profundo Atlântico.

 

In “O Foral Manuelino de Ílhavo” - Introdução Histórica, pelo Prof. Saul António Gomes (2009)