Passar para o Conteúdo Principal Top
C.M. Ílhavo - Voltar ao início
share rss facebook
Início
Visite ÍlhavoVisit Ilhavo

O Porto Bacalhoeiro

Área fundamental do Porto de Aveiro, o Porto Bacalhoeiro, ou Cais Bacalhoeiro, é o Porto de Pesca Longínqua, ou do Largo. É aqui se que encontra, atualmente, a totalidade da frota nacional de navios bacalhoeiros. Mas esta característica de ser, profundamente, uma área industrial, não lhe esgota o significado que tem para as nossas comunidades piscatórias e para a Gafanha da Nazaré, a cidade portuária do Município de Ílhavo. Este é, essencialmente, um local de lágrimas. De tristeza, nas partidas, ou de alegria, nos regressos felizes dos bravos da "Faina Maior"... Este é, no fundo, o embrião da Gafanha da Nazaré tal como ela foi e é ainda hoje, o coração da indústria bacalhoeira nacional e o que faz do Município de Ílhavo a Capital Nacional do Bacalhau.

 

imagem

 

Paisagisticamente agreste, mesmo nas mais quentes estações do ano, o Porto Bacalhoeiro é porto de abrigo da totalidade da frota bacalhoeira portuguesa dos nossos dias e o principal porto de pesca do largo português. É aqui que é descarregada a totalidade do pescado congelado dos navios que operam no Atlântico Norte, significando isto que todo o "nosso" tradicional bacalhau - o Gadus Morhua, passa todo por aqui.

 

Na Ria, as 17 pontes-cais acolhem, quando em pausa da atividade pesqueira, os 13 modernos navios-fábrica: o Santa Cristina (1965), o Santa Mafalda e o Lutador (1967), o Joana Princesa (1970), o Brites (1971), o Santa Isabel (1972), o Coimbra (1973), o Aveirense (1974), o Praia de Santa Cruz (1975), o Calvão (1977), o Cidade de Amarante (1990), o Pascoal Atlântico (1992) e o França Morte (2005), alguns outros arrastões de menor dimensão, dedicados, principalmente, à captura de espécies naturais das costas atlântica e pacífica do continente africano, e também o Argus  (Polynesia 2), aquele que já foi caracterizado como o navio que conta a história da pesca do bacalhau.

 

Em terra, na marginal, as empresas, armazéns e fábricas de transformação alimentar do pescado dos armadores da pesca longínqua e antigas secas de bacalhau. Nas imediações, outras unidades industriais de transformação alimentar, dedicadas às conservas, ao sal ou aos crustáceos e moluscos, empresas dedicadas à construção e reparação naval, agentes de navegação e outras, de apoio a todos quanto trabalham nesta área portuária. Existem também serviços associados à atividade piscatória, como a delegação da Direção Regional das Pescas e Agricultura, a AIB - Associação dos Industriais do Bacalhau e um clube de pescadores - o Stella Maris, hoje ligado à formação profissional mas que foi já uma antiga obra de assistência social diocesana aos pescadores. Do passado permanece também, por exemplo, o edifício da Comissão Reguladora do Comércio de Bacalhau (C.R.C.B.).

 

Historicamente, o Porto Bacalhoeiro "fez-se" essencialmente, pela iniciativa privada e contrariando, em grande medida e até apenas meados do século XX, o envolvimento e investimento estatal nos grandes projetos portuários de Leixões e de Lisboa, e num contexto de quase permanente preocupação com a estabilização da barra da Ria de Aveiro, que em 1808 se fixou artificialmente subsistindo, no entanto, enormes problemas relacionados com a navegação e com a estabilização de correntes e margens, questão de elevada exigência relativamente à atenção e recursos a elas alocados pelas entidades locais e regionais. Esta quase permanente preocupação relegou, para segundo plano, e durante um largo período de tempo, o Porto Bacalhoeiro, cuja atividade económica viria, mais tarde, a justificar a atenção dos poderes públicos e os investimentos portuários, não apenas nesta área do Porto de Aveiro, mas em todas elas.

 

O Porto Bacalhoeiro é também um lugar com um imenso simbolismo histórico! Os "bota-abaixo" dos navios e embarcações feitos nos estaleiros que aqui existiram - os Estaleiros Mónica, eram ocasiões festivas e de imenso mediatismo nacional, às vezes até com carácter propagandístico para o regime de Salazar. As chegadas dos navios bacalhoeiros, numa altura em que as comunicações eram praticamente inexistentes e as viagens ao Atlântico Norte duravam cerca de seis meses ou, pelo menos, até encher os navios com o tão precioso Bacalhau, por vezes em contexto de guerra mundial (em que submarinos alemães torpedeavam inocentes navios de pesca) eram momentos de imensa alegria! O bulício das secas de bacalhau e a movimentação das trabalhadoras, de e para a seca, a pé ou de bicicleta, cantando ou desafiando-se mutuamente, ecoam ainda na memória dos residentes... O Porto Bacalhoeiro transformou, e transforma ainda, quotidianamente, a cidade portuária da Gafanha da Nazaré, mesmo nesta altura em que as atividades portuárias estão já muito vocacionadas para outros setores que não a pesca longínqua. Não existe família, no Município de Ílhavo, que não tenha ainda, ou tenha tido, alguém que andado nesta "Faina Maior" - a pesca do bacalhau.

 

Sugestões:

 

 

 

 

 

 

 

 

Curiosidades:

 

  • O Porto de Aveiro, é constituído por diversas áreas de especialidade. Desde logo o Porto Bacalhoeiro (Porto de Pesca do Largo), onde se encontra o Terminal Especializado para a Descarga de Pescado, os Portos de Pesca Costeira (onde a Lota  está instalada) e de Abrigo para a Pequena Pesca, e, além destes o Terminal Norte - Multiusos, o Terminal de Contentores - Ro-Ro, o Terminal de Granéis Líquidos, o Terminal de Granéis Sólidos (incluíndo o Agroalimentar), o Parque Logístico TGL, todos eles localizados na cidade da Gafanha da Nazaré, no Município de Ílhavo, e apenas duas áreas fora do município, o Terminal Sul - Multiusos e a Plataforma Multimodal de Cacia, no Município de Aveiro.

 

  • Quatro factores, a partir da década de 1930, correspondem a inovações que permitiram um grande crescimento do setor da pesca do bacalhau: a introdução do motor para a manobra dos ferros, melhorando substancialmente as condições laborais dos pescadores, logo no início da década, a introdução da propulsão mecânica, por volta de 1933, fazendo com que as viagens se tornassem mais rápidas e que fosse possível pescar em áreas mais vastas e, a partir de 1936, o uso do frigorífico, que atenuou o problema com a conservação do isco. Finalmente, e também em 1936, o surgimento do primeiro arrastão lateral - o Santa Joana.

 

  • As secas de bacalhau foram uma das principais atividades junto ao Porto Bacalhoeiro e terá empregado, em alguns períodos, mais de um milhar de trabalhadores. Inicialmente as secas eram propriedade dos armadores e localizaram-se no interior das instalações das empresas nelas trabalhando, sobretudo, mulheres provenientes de diversas regiões do país, sendo muito conhecidas, por exemplo, as de Fafe de quem se diz, quando chegavam, que "nem sabiam o que era bacalhau" mas que se transformavam em trabalhadoras exemplares.